Brasil deve bater recorde de exportações de carne bovina em 2019, diz Rabobank

As exportações brasileiras de carne bovina em 2019 devem crescer 3,9% ante o ano anterior e bater recorde, de acordo com estimativas do Rabobank em relatório trimestral divulgado. O motivo seria a maior demanda da China, do Egito e a reabertura da Rússia no fim do ano passado. Além disso, o câmbio deve favorecer os preços e a produção no País.

Apesar de reiterar perspectiva favorável para o setor no Brasil, o Rabobank afirma que fatores como a safra de milho nos Estados Unidos, a guerra comercial entre EUA e China e novas habilitações internacionais de plantas podem alterar o cenário.

O cenário interno para a carne bovina brasileira também foi considerado positivo, com melhora no consumo doméstico este ano em decorrência da perspectiva de recuperação econômica do País que, para o banco, continuará caso as reformas sejam aprovadas pelo Congresso. O início do ano, no Brasil, foi de alto índice de abate de novilhas e os preços do gado vivo subiram 8% em julho deste ano ante o mesmo mês de 2018.

Também segundo o Rabobank, a produção global de carne bovina deverá se tornar mais sustentável para atender às novas e crescentes exigências de consumidores. O banco lista iniciativas que já ocorreram nos últimos 12 meses, como o compromisso do McDonald’s de comprar carne sustentável, o programa de sustentabilidade lançado pela Tyson Foods, e a criação da Associação Brasileira de Produtores de Carne Carbono Neutro em fevereiro deste ano, com a Marfrig já se oferecendo para entregar os primeiros produtos de carne bovina neutros em emissão este ano.

De acordo com o banco, o ritmo das mudanças deve acelerar em todo o mundo. Na China, o diagnóstico é de “forte demanda por carne bovina”, com preços altos no varejo mesmo durante o verão, que costuma ser época de pouco consumo no país. “Consumidores estão migrando de carne suína para outras proteínas”, mostra o relatório, mencionando o surto de peste suína africana que causou aumento no preço da carne suína e queda na demanda em decorrência de preocupações com segurança alimentar.

A produção de carne bovina do país deve ficar estável. O país registrou aumento anual de 53% nas importações de carne bovina no primeiro semestre de 2019 e o banco diz que espera “que o impulso de importações expressivas de carne bovina continue durante o restante do ano”.

Nos Estados Unidos, o Rabobank destaca os desafios da produção após o incêndio em uma planta da Tyson em Kansas. “Dado o impacto do fogo, ainda há um alto grau de incerteza sobre quais condições e preços do mercado prevalecerão no restante do ano.”

Já na Austrália, o destaque é a alta nos preços do gado em decorrência do estoque em níveis mais baixos nos últimos 20 anos – a estimativa é de 26 milhões de cabeças -, com perspectiva de recuo ainda maior.

Autoria: Estadão Conteúdo

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