Coletores de açaí se beneficiam de certificação ambiental reconhecida mundialmente

No arquipélago do Bailique, uma das regiões mais isoladas do Amapá, é produzido o único açaí com certificação ambiental do mundo. A região compreende 8 ilhas, onde vivem cerca de 10 mil pessoas.

Os coletores de lá conseguiram a certificação FSC (sigla em inglês para Conselho de Manejo Florestal), uma ONG com presença em mais de 75 países, que distribui um dos selos verdes mais reconhecidos em todo o mundo. Quem gerencia todo o projeto é uma cooperativa da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique.

São 98 produtores certificados, que trabalham em 29 comunidades da região. Para conseguir a cerificação eles seguem normas estritas. Ninguém entra sem capacete, e os trabalhadores usam bota, óculos de proteção, facão na bainha na hora de subir no açaizeiro pra coleta e luva pra debulhar o cacho.

“Esse selo também garante que nós obedecemos principalmente as questões ambientais e sociais. Por exemplo, a gente não tem trabalho escravo, nem exploração infantil. É uma garantia de que há o respeito ao meio ambiente, ou seja, há um interesse da comunidade em manter a floresta em pé, usufruir da floresta de forma sustentável”, afirma Geová Alves, presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique.

De cada lata de açaí vendido, 5% são reservados para um fundo educacional. No futuro, esse dinheiro vai ser usado para construir e manter uma escola de ensino fundamental e médio para os alunos da região. No ano passado, foram vendidas 8 mil latas de açaí, que renderam R$ 204 mil, dos quais R$ 10 mil reais foram direto pro fundo.

“Não adianta a gente criar uma cooperativa, certificar produtores, se não tiver qualificação profissional, por exemplo. Então a escola família vai trazer isso aqui pra dentro”, afirma Alves.

Os agricultores também aprenderam a fazer o manejo florestal dos açaizeiros. Tiraram árvores menos produtivas para fazer o ajuste de espaço entre as plantas, para melhorar a entrada de luz. Mais de mil árvores foram cortadas, o que vai permitir dobrar a colheita. As árvores derrubadas ficam no chão e servem de adubo.

Graças ao certificado, novos mercados surgiram para os coletores da região. A polpa do açaí certificado do Bailique despertou interesse na regiões sul e sudeste do Brasil e em países como Austrália, Canadá e Estados Unidos.

Com maior demanda, os agricultores fizeram mais investimentos. A associação abriu um entreposto comercial em Macapá, capital do estado.

Fonte: Globo Rural

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